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Publicado em 28 de jan de 2016. O novo boletim divulgado nesta quarta-feira (27) aponta também que 270 casos já tiveram confirmação de microcefalia, sendo que 6 com relação ao vírus Zika. Outros 462 casos notificados já foram descartados. Ao todo, 4.180 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 23 de janeiro.

Um país não pode se desenvolver sem investimento em conhecimento Júlio C. Felix Diretor-Presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar)



É plenamente sabido e aceito que as nações que adotam políticas efetivas de ciência, tecnologia e inovação, costumam investir entre 2% e 4% do PIB nessas áreas. Não é o caso do Brasil, que jamais chegou perto de 2%, tendo ficado em torno de 1% ou um pouco mais, situação que vem regredindo. O Brasil vive hoje um momento de muita preocupação em toda a comunidade científica e tecnológica.

A pergunta recorrente é sobre como lidar com os contingenciamentos para a área, que neste ano sofre um corte de 44% no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Como explicar, por exemplo, o fechamento, por falta de recursos, da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec) e da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec).

Hoje, não são empenhados esforços para melhorar as boas práticas de gestão nas organizações de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Ao contrário, elas vêm sendo fortemente tolhidas, em todos os aspectos. O descaso do Estado tira o sangue que supre esse paciente em situação quase terminal. Em vez de equacionar serenamente o grave problema, está-se aniquilando as possíveis soluções.

É preciso buscar saídas. O Brasil é um país em que o Estado é o maior comprador. E esse poder de compra do pode ajudar a alavancar a ciência e tecnologia.

Há exemplos muito recentes, como os do Ministério da Saúde, que usa o poder de compra para desenvolver medicamentos inovadores e tem apoiado a transferência de tecnologia para que criemos realmente no País a possibilidade de reduzir o custo para a saúde pública.

Somente por meio das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP), aprovadas em 2013, o Ministério economizou em torno de 60% na compra de medicamentos biológicos, que estão entre os mais caros  e são usados para tratar doenças graves como artrite reumatoide e diversos tipos de câncer. Este é o uso benéfico da compra do Estado.

Sem minimizar o papel das universidades, os institutos e centros de pesquisa são particularmente importantes, especialmente nesse momento em que se apresentam novas formas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação - como a Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês), Indústria 4.0, Agricultura 4.0, Startups, Fab. Labs, Inovação Aberta, Pesquisa Cooperativa e outras.

Os institutos e centros de pesquisa nesse cenário desempenhariam um papel crucial entre as atividades de pesquisa científica nas universidades e as novas demandas do setor produtivo. No entanto, o estado falimentar em que se encontram não permite que esse papel seja exercido a contento, inclusive no que respeita à cooperação internacional, onde estamos perdendo boas chances de desenvolvimento de tecnologias que interessam estrategicamente ao País.

Outra saída para a área da ciência, tecnologia e inovação é utilizar recursos que não sejam do orçamento, que está sempre suscetível a cortes. Um exemplo são os fundos setoriais de CT&I, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Diante de um cenário instável, o único caminho para amenizar a situação é o uso dos fundos. Entretanto, eles também viraram uma peça orçamentária. Ou seja, uma peça de ficção. Assim, o problema está na falta de previsibilidade, não somente de indisponibilidade de recursos.

O sistema bancário, por sua vez não têm uma estratégia de atuar no contexto da pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação; os que o fazem atuam como agentes do BNDES, mas não com o dinamismo que a economia do País poderia esperar. É imprescindível no financiamento à PD&I que aos recursos públicos se somem os instrumentos privados de crédito, incluindo os fundos de riscos, com se depreende do cenário internacional

Está claro que o maior problema da ciência, tecnologia e inovação atualmente não está só na falta de recursos, mas na falta de compreensão da importância do setor por parte dos órgãos que deveriam apoiá-lo. Sem conhecimento, não há como desenvolver o País, em bases sustentáveis.

Assessoria de Comunicação
Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar)

(41) 3316-3007 / (41) 2104-3355

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